Ao contrário do que se previa, os protestos no Egito não perderam força. Pelo contrário, a praça ocupada pelos manifestantes no centro do Cairo, a Tahir Square, se tornou um símbolo eloquente e concreto da força que quer a saída do ditador Mubarak do Egito.
Já faz algum tempo que a cobertura, digamos, “não jornalística” dos eventos nos ajuda a entender melhor os conflitos por justamente ser contada por quem participa da notícia. O video acima foi realizado por uma pequena câmera amadora, de uma janela que olha sobre uma das ruas que dá acesso à praça. É um momento de grande tensão, um grupo quer se aproximar de um ponto tomado pela polícia de Mubarak. Os jovens tentam formar uma barricada com placas de madeira. Até que um deles decide caminhar sozinhos em direção aos homens armados. Para no meio da rua, tira o casaco para mostrar que não carrega nenhum artefato ou arma letal. Cria-se um momento de impasse quando, já ao final do video, ele é friamente assassinado por um tiro que parte do pelotão diante dele.
Há centenas, senão milhares, de videos como esse no YouTube. Eles mostram que o atual movimento popular pode até ter se iniciado e ter encontrado força via redes sociais na web, mas só ganhou importância quando ganhou as ruas, o mundo real. O que podemos chamar de “estilo egípcio” é contrastante ao nosso estilo brasileiro de ativar protestos via web, como o #ForaSarney, que nunca encontram a sua correspondência nas ruas. Ativista de mouse, somente sentado no computador, não muda a história dos fatos. [http://blogdotas.terra.com.br/2011/02/09/por-que-ninguem-sai-da-tahir-square/]
Uma das lições que ficam é a de que se queremos de verdade que mudanças aconteçam, temos que dar a cara á tapa, temos que dar o sangue, temos que dar a própria vida (literalmente as vezes, como no caso do egípcio do vídeo). Pena que a maioria do povo do nosso país não tem compromisso nem mesmo com mudanças que beneficiem sua vida pessoal, imaginem ir às ruas pelo bem do país... nós jovens, por exemplo, preferimos gastar a miséria que ganhamos (os que ganham) com "baladas", roupas, bebidas, sem falar em muitos casos com drogas. E somos "o futuro do Brasil" ? Futuro de cinza pra preto esse!


